Quadro Quadro Meu...
Escrito durante a leitura de O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
Mais um livro daqueles que parece que todo mundo leu menos eu.
Logo no prefácio descubro que este livro está dentro do movimento do Esteticismo. Lembra do ensino médio e as aulas de literatura com a “arte pela arte”? Pois é, este mesmo.
Oscar Wilde é muito citado por aí. Sempre tem uma frase dele para uma momento apropriado. E esta, logo no prefácio de 1891, escrito por ele, reflete bem o meu objetivo ao fazer estes textos: “A única desculpa para se fazer uma coisa inútil é admirá-la intensamente.” Quando escrevo estes textos quero apenas poder conversar sobre os milhares de assuntos que rondam a minha cabeça o tempo todo. E confesso que não sei se falo sozinha aqui, pois na vida, falar sozinha é minha diversão. E unindo “sozinho” e “diversão” este vídeo do Afonso Padilha entrega muito.
A edição que estou lendo é bilíngue e independente da escolha pelo português ou inglês tem sido uma experiência esquisita ler somente as páginas ímpares ou só as pares.
“Observou-a com aquele estranho interesse pelas coisas triviais que tentamos pôr em prática quando coisas de maior importância nos amedrontam”. Atire a primeira pedra quem não se deteve em um pelinho imaginário na roupa, um quadro em uma sala de espera, talvez as próprias unhas na vã esperança de levar o foco do pensamento para um lugar controlável.
Falando em trivial, o livro gira em torno da beleza de Dorian Gray. A beleza é um tema sempre muito em voga. As exigências da sociedade, principalmente quando se está solteira(o). Como se o status de relacionamento te desse o direito de ser feia(o).
E para falar sobre o direito de ser feia, este episódio do Divã da Diva é certeza de risadas e um quentinho no coração que sinto em todos os episódios dos divos. (Neste foi especial… Eles leram minha resposta da enquete do Bluesky, fica aí este spoiler)
Mais do que o direito de ser feia, acho que todas deveríamos ter a liberdade de sermos bonitas sazonalmente. Não sabe o que é ser bonita sazonal? É antigo, mas vale super o play.
Ainda sobre beleza, a Dove fez mais um estudo sobre o assunto e não vejo que houve diferença positiva em relação ao estudo anterior, realizado 20 anos atrás. O resumo, que já é bem impressionante, está em português, o estudo completo pode ser baixado, em inglês. Precisamos falar sobre as expectativas irreais em relação à beleza. É um tema sério e lindamente tratado neste texto do teoricamente, parece que foi escrito ontem, mas tem mais de 2 anos.
E por que não dar um passinho ainda mais para trás no tempo? Este vídeo sobre os cuidados com o cabelo na era vitoriana te leva lá.
E não é algo que afeta só as mulheres, homens também, neste texto um homem LGBTQIA+, mas alguns homens heteros também já me contaram que sentem isso.
Algo que sempre noto nestes livros mais antigos é a quantidade absurda de tempo livre que eles têm. Parece que ninguém tem responsabilidades, trabalha ou algo assim. Pessoas vão ao teatro todos os dias, vestem-se para jantar, saem para caminhadas sem objetivo e tem longos diálogos com expressões rebuscadas para retratar coisas simples.
O veredito final sobre o livro foi: eu não gostei. Não é que ele seja ruim. Talvez eu estivesse com a régua muito alta pelo tanto que já havia ouvido sobre. E sempre muito elogioso. Pode ser implicância? Pode. E percebi isso uns dias depois de terminar a leitura, ouvindo este episódio do “Dentro da minha cabeça” onde é discutido quando foi que ficamos tão implicantes.







Poxa quase comprei ….kkk